Como uma faca afiada
Cortante, cortando a carne
Sangrando,
Na boca o gosto de sangue
Cru, um suco sem sabor
Pastoso de pavor
A carne vazia na boca cheia
De palavras sem dizer
Dedos gestantes mexendo
Sem parar
Ninguém mais se conhece
Vidrados na tela sociais das
vidas sozinhas
Postando uma tristeza
Pintada de alegria
Enquanto tira a foto
De uma uma comida
Que nunca se comia
Em um lugar que nunca se ia
Com alguém que nem conhecia
Curtidas e curtidas
De uma vida vazia
Feliz na tela
Sorrindo de tristeza
E chorando de alegria
Sentimentos sem momentos
De plásticos
Plastificamos o tempo
Embalamos nossa história
Com traços de uma vida
Que nunca existiu
E ninguém mais se conhece
E ninguém mais se viu
Passou o tempo
O relógio explodiu
E quanto menos se espera
Percebemos que tudo se foi
Mas ficou o filtro
Na foto do ventre
Com curtidas recentes
De um feto que a mãe nem
Pariu

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