o poeta vive sozinho,não interessa quem é o seu vizinho,
ele faz da dor , seu único amor.
e faz da letra a única palavra que alguém falou.
se esconde atrás da percepção.
fecha os olhos,
na claridade de qualquer escuridão,
pois é de noite que senti um monte,
é de noite que nasce a reflexão,
entende mais do que pode suportar.
e sufocante saber que existem tantas coisas
pra falar.
o poeta é o menino que anda descalço,
é o velho palhaço que não sabe fazer rir,
é aquela fotografia que o tempo faz puir.
ás vezes um detalhe pode ser a conclusão.
o poeta não vive na multidão.
o carro passa a lua desce até a calçada,
a fumaça do cigarro vira uma cortina de traças,
que corrói tudo por dentro
deixa oco, um lugar pro vento.
o poeta é a casa do vazio do peito,
perito em defeito.
pois vê o mundo de uma forma torta.
sente quando ninguém bate na porta,
o poeta morreu...
quem matou?
não fui eu!
mas vocês deixaram ele morrer,
por que?
tranque suas ideias numa caixa fechada,
pinte por fora de uma cor que ninguem vê.
coloque sete chaves numa tranca enferrujada.
e deixe embaixo da cama apodrecer.
faça um desenho que ninguém pode ver.
tenha tudo aquilo que nunca quis ter.
e tranque a janela!
alguém pode te ver.
tranque a janela pra ninguém ver.
o poeta não vive em sacadas,
não saca , não desce escada,
não sobe no muro , tem medo de cair.
o poeta fica dentro da caixa.
que a porra da tua ignorância
nao deixa abrir!!!
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