No ventre apodrecido de minha própria pátria.
O dinheiro que compra a suja arma,
É o mesmo que salva a tua pobre alma.
O que sobrou para mim,
Se não apenas uma esperança,
A mesma de quando era ainda criança.
Mas o tempo não é assim.
Acendo uma vela amarela numa mesa de tábua,
Nos confins de outro lugar.
Alguns rezam para que a chuva passe
Outros para ela nem chegar.
O mesmo país que outrora flâmula a ordem,
Desarruma os conceitos impostos por impostores
Contradiz o próprio nome,
Exalta a má sorte. Depois se esconde.
A pátria que só no esporte é bela,
Democrata que obriga a escolha,
Pela qual nunca lutamos,
E só sabemos a musica, pois o que diz o hino
Nunca escutamos.
É onde brotou minha vida
Apago com cinza de cigarro
A ignorância de um povo sem força
Que luta pela mesma coisa
E só luta por lutar...
Pois o mais incrédulo lote de moeda
Vendido por um poeta,
Tem que ter um lar.
Lar este que me espera
Pois o Ipiranga e logo ali,
Sendo heróico o povo,
Só quando sorri.
Pois rir de si,
E saber que logo,
O riso é raso.
Contrapondo o próprio fracasso.
Eu vendo minha pátria.
Troco por lata cobre ou prata.
O mesmo que me roubaram,
Mesmo antes de eu existir.
Veras que um filho teu não foge a luta,
Pois tantos primos teus que te estrupa,
Entre outras mil, es mãe gentil.
Mas entre outros tantos,
Ainda nossos bosques têm mais flores,
Podem furtar a flor.
Mas a semente, nós esconde!
Terra adorada...

Lindo teu post, essa fala do paradoxal que existe dentro de nossa pátria, dentro de nossa gente, dentro de nossas vontades. As mãos que trabalham, que batalham, as mãos que fazem bombas e sambas, a esperança que é verde amarela azul e branco.
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